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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Bunge inaugura fábrica de maionese em Gaspar

20/08/2012
A Bunge Brasil inaugurou nesta sexta-feira uma fábrica de maionese em Gaspar. A multinacional investiu R$ 35 milhões na unidade, que irá produzir 42 mil toneladas do produto por ano das marcas Salada, Soya e Primor. A nova fábrica fica ao lado da planta responsável pela fabricação de margarina e óleos, que opera há anos na cidade.

A nova unidade vai gerar 400 empregos, 100 deles diretos. Além da estrutura em Gaspar, em Santa Catarina a Bunge Brasil possui dois Centros de Distribuição (Chapecó), duas estruturas portuárias (São Francisco do Sul) e unidades de industrialização de trigo (Joinville), de refino de óleo e produção de gordura (Gaspar) e unidades misturadoras de NPK (Imbituba).



FONTE
http://www.tpa.com.br
FOTOS ILUSTRATIVAS


As crianças estão crescendo rápido demais? As novas gerações parecem estar chegando mais cedo à puberdade. Os pais devem se preocupar com isso?


Manuela* acabara de completar 9 anos quando os seios começaram a surgir. Na época, ela adorava pique-corrente e as aulas de circo, brincava o tempo todo e ainda dormia com seu ursinho. Com jeito de moleca, mostrava pouco ou ne­nhum interesse por meninos. Os pelos das axilas apareceram na mesma idade, assim como os do púbis. Aos 10 anos, já usava sutiã, peça que comprou junto com um grupo de amigas da escola que também viviam a mesma situação. Com 11 anos, ela menstruou.
Pode parecer pouca idade, mas esse é o padrão de amadurecimento sexual das meninas. O desenvolvimento da puberdade feminina varia dos 8 aos 13 anos e se define pelo aparecimen­to dos seios. “Normalmente, na meni­na o primeiro sinal da puberdade é a chamada telarca, o aparecimento das mamas”, diz a Dra. Flávia Conceição, que atua no Serviço de Endocrino­logia do Hospital Universitário Cle­mentino Fraga Filho e é professora de Endocrinologia na UFRJ.
Embora não haja pesquisa específi­ca no Brasil, em 1997 um estudo ame­ricano em grande escala mostrou que no decorrer dos séculos a média de idade da primeira menstruação caiu gradualmente dos 17 para os 12 anos. Um estudo feito em 2009 na Dinamar­ca concluiu que as meninas na Europa também chegam mais cedo à puberda­de. Há pesquisas que defendem a an­tecipação da puberdade dos meninos, mas de forma menos drástica.
Renato* entrou na puberdade antes dos amigos. Com 8 anos já tinha pelos debaixo dos braços e no púbis. Aos 10, a voz havia engrossado e ele já esta­va com jeito de adolescente. Exames feitos por endocrinologistas constata­ram que aos 9 ele tinha idade óssea de 8 anos e, aos 10, a idade óssea ti­nha pulado para 13 anos, quando sua altura era de apenas 1,44 m. A idade óssea corresponde à maturação dos ossos, dando uma boa noção do po­tencial que o paciente ainda tem para crescer, e não acompanha necessa­riamente a idade cronológica.
A Dra. Thereza Selma Soares, endocrinolo­gista pediátrica do Instituto de Me­dicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip-PE) da Universidade Federal de Pernambuco, prescre­veu injeções mensais para retardar o processo de puberdade de Renato e garantir o crescimento normal na adolescência. Hoje o garoto tem 13 anos e mede 1,57 m. A médica calcula que ele alcançará a altura final supe­rior a 1,70 m.
Pais, médicos e a imprensa já cogitaram teorias para explicar por que as meni­nas, especificamente, es­tão amadurecendo mais cedo. Para cada menino, existem de 8 a 10 meninas com puberdade precoce. Serão os hormônios das carnes que comemos, os produtos químicos que mimetizam hormônios no organismo – como o bisfenol A, ou BFA –, a ten­dência crescente à obesidade infantil ou a sexualização precoce das crian­ças pelos meios de comunicação?
Na verdade, todas as hipóteses são possíveis, mas não há comprovação científíca de que alguma delas seja a causa real. “O estrógeno no frango poderia estimular o desenvolvimen­to das mamas nas crianças, ou seja, um aspecto isolado, periférico, sem influência nas demais características da puberdade”, explica o Dr. Durval Damiami, chefe da Endocrinologia Pediátrica do Instituto da Criança no Hospital das Clínicas da Universida­de de São Paulo (USP). “Existem relatos de casos de comunidades expostas a produtos químicos nas quais houve registro de puberdade precoce. Chamamos essas substâncias de endocrinedisruptors (interferentes endócrinos)”, diz ele.
As crianças estão constantemente expostas a estrógenos ambientais e a produtos químicos, encontrados em inseticidas (especialmente o DDT), maquiagem, loções e plásticos de ca­nudinhos e mamadeira, que desor­ganizam o sistema endócrino. Hoje alguns rótulos de mamadeira à venda no Brasil trazem a informação “sem bisfenol”. Pesquisas mostram que es­tas substâncias químicas ativam os re­ceptores de produção de estrógeno, o que pode provocar o desenvolvimen­to de mamas e o início da puberdade em meninas.
“Hoje existem muitos estudos so­bre a influência desses agentes, mas não podemos afirmar que são o fator responsável. Mais de 90% dos casos de puberdade precoce nas meninas não têm causa identificada”, afirma o Dr. Durval. “É difícil dosar se a expo­sição ambiental está, de fato, induzin­do à puberdade precoce das crianças. Depende do tempo de ação e da quan­tidade de interferente endócrino ao qual a criança foi exposta. É neces­sário levantar dados epidemiológi­cos sobre as comunidades afetadas e o grau de exposição para relacionar causa e efeito. A grande dificuldade é mensurar os efeitos.”
O vínculo entre causa e efeito fica ainda mais indistinto quando se trata do impacto da sexualidade escanca­rada que se vê em revistas, filmes e na televisão. Alguns pesquisadores defendem que as crianças têm sido constantemente expostas a estímulos sexuais e, de algum modo, isso pode levar o cérebro a desbloquear a puberdade, que passa a ocorrer mais cedo.
“Há uma adultificação das meninas. Muitas começam cedo demais a usar maquiagem, batom”, observa o Dr. Durval.  “O estímulo visual e erógeno poderia atuar no sistema nervoso central e desencadear a puberdade precoce, mas isso não foi provado cientificamente, são apenas ideias.”
Uma das maiores preocupações dos pais é a tendência crescente de obesi­dade infantil e o papel que isso pode ter no início da puberdade. Algumas meninas gordas entram na puberdade mais cedo, porque o excesso de cé­lulas adiposas provoca a liberação do hormônio leptina, que afeta o amadu­recimento. “No entanto, as meninas obesas podem ter depósitos de gordu­ra nas mamas sem tecido mamário e, neste caso, não se trata de puberdade. O desenvolvimento de tecido mamá­rio independe de gordura, e a obesi­dade é apenas um dos vários fatores que contribuem para a antecipação da puberdade”, explica o Dr. Durval, que ressalta: “a maioria das meninas com puberdade precoce é magra”.
A boa notícia é que os pais podem relaxar. A razão mais aceita para a largada antecipada rumo à idade adulta é a melhora da nutrição, da higiene e das condições socioeconômicas. “A quali­dade de vida melhorou. Temos indica­dores de nutrição e crescimento mais adequados hoje. As meninas são mais altas e mais pesadas”, afirma a Dra. Thereza. Segundo ela, as meninas pre­cisam, no mínimo, de 17% de massa de gordura no corpo para menstruar.
Na verdade, o início precoce da pu­berdade em meninas era considerado sinal de progresso, assim como o au­mento de altura. Segundo o Dr. Dur­val, não é raro ver pais empolgados com o desenvolvimento antecipado dos filhos. “Mas uma menina com 9 anos e 1,25 m que já entrou na puber­dade corre o risco de ser uma adulta baixa. É preciso verificar se a idade ós­sea está avançada para a idade crono­lógica”, explica ele. “A queda na idade da puberdade resultou em muitos es­tudos para se detectar as causas. Nos últimos dez anos, há mais pesquisas sobre a influência de questões am­bientais no processo de puberdade.”
Embora não sejam claras as conse­quências para a saúde e ainda faltem pesquisas específicas, alguns estudos vinculam a puberdade precoce ao au­mento do risco de comportamentos autodestrutivos, como uso de álcool e drogas, experiência sexual antecipada e depressão. “Muitas meninas ficam com corpo de mulher. Não acontece sistematicamente, mas tenho pacien­tes nesta fase com humor depressivo e comportamento bipolar encaminhados por psicólogos”, revela a Dra. Thereza.
Quando Manuela começou a desenvolver os seios, a mãe não se preocupou. “Ela ainda era muito infantil,tinha vergonha de usar sutiã e brincava com bonecas. Melhor assim”, recorda­ a mãe, que entrou na puberdade na mesma idade e aderiu aos produtos or
gânicos, sem hormônios, acreditando que a tática evitou que a menstruação da filha chegasse aos 10. “Eu me senti como Manuela. Tinha vergonha e resistência à ideia. Ela não gosta de chamar a atenção, sempre foi discreta.”
“Quando veio a menstruação achei muito cedo, não queria virar mocinha. Não queria ter cólica e parar de cres­cer”, conta Manuela, hoje com 15 anos. 
Quanto a Renato, agora com 13 anos, o fato de ser o primeiro dos amigos a entrar na puberdade não o afetou mui­to. “Não fiquei envergonhado”, recor­da ele. “Eu me senti poderoso.”
Puberdade precoce
Quando a criança chega à pu­berdade antes da idade normal, dizemos que há “puberdade precoce”. Em meninas, isso é definido como desen­volvimento dos seios antes dos 8 anos. Nos meninos, são sinais de puberdade antes dos 9.
Em 80% dos casos, a puberdade precoce em meninas não tem causas subjacentes graves. Ainda assim, a criança deve ser exa­minada para eliminar qualquer problema, como recomenda a Dra. Flávia Conceição, do Serviço de Endocrinologia do Hospital Uni­versitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ.
“Dependendo da idade, podemos su­primir a puberdade com injeções mensais de hormônio via intramuscular”, explica ela. “Os hormônios sexuais são respon­sáveis pelo fechamento da cartilagem do crescimento. Por isso, após a puberdade, a criança para de crescer. Uma das razões do tratamento da puberdade precoce é garan­tir uma estatura final adequada.”
Em meninos, é ainda mais importante a avaliação da puberdade precoce, pois é me­nos comum e mais associada a problemas orgânicos. “Em até 50% dos casos pode ser causada por um tumor cerebral. Tumores nos testículos podem provocar puberdade precoce periférica, sem ativação do sis­tema nervoso central”, revela a Dra. Flávia. “Nestes casos, é sempre melhor procurar a causa do problema e, se for diagnosticado um tumor, tratá-lo o quanto antes.”
Aprenda a se adaptar
Qual a melhor maneira de ajudar a sua adaptação e a do seu filho? “Na puberdade, o corpo sofre uma grande modificação em um curto período de tempo. A menina ou o menino, muitas vezes, não se sente mais confortável em ocupar o lugar da criança. Muitos desafios podem marcar esse momento. A criança pode sentir inquietação e angústia”, diz a Dra. Cristiana Carneiro, coordenadora do Nipiac (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e a Adolescência Contemporânea) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
“Na puberdade, acontece uma mudança hormonal. Como a criança vai lidar com isso? O corpo está amadurecendo, mas o desenvolvimento não é linear. Cada um responderá de forma particular, de acordo com sua história, de acordo com a estrutura da família”, diz Cristiana. Segundo a psicanalista, os pais devem dar espaço e prestar atenção.
“É muito im­portante os pais estarem atentos, o que não deve ser confundido com vigilância extremada. Desenvolver uma relação de confiança é o principal. Acreditar que seu filho pode seguir sem você, ao mesmo tempo não se ausentando, estando disponível para quando precisar. Alguns pais pensam que os filhos cresceram e adotam uma postura de abandono, como se eles pudessem se virar sozinhos e pronto.”
Essa postura de atenção e presença ajudará a criança a enfrentar as mudanças corporais. E os pais devem ter em mente que puberdade e interesse sexual não caminham neces­sariamente juntos. Nem haverá uma súbita atração por meninos ou meninas.
“É importante a criança não ter acesso a um discurso único. O discurso do grupo de amigos e o discurso da mídia não terão tanto peso se a criança tiver acesso ao discurso dos pais e da escola. Os pais não podem se omitir”, diz a Dra. Cristiana. “Escutar, orientar e aco­lher são atitudes que aumentam a segurança da criança”, explica.


FONTE
www.superinteressante.com/
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As novas combinações de alimentos que fazem bem à saúde. Como montar seu prato para facilitar a absorção dos nutrientes...

NATÁLIA SPINACÉ E MARGARIDA TELLES
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Capa Época 744 (Foto: divulgação)
Houve um tempo em que, se alguém dizia que uma comida era boa, queria dizer que sentia prazer na refeição. Hoje, quando alguém fala em comida boa, em geral quer dizer que faz bem à saúde. Parece que, depois de 2.500 anos, finalmente estamos prestando atenção ao que o grego Hipócrates, pai da medicina, pregava: “Faça do seu alimento seu remédio”. E tome alho para resfriado, abacate para a pele, feijão para controlar o nível de ferro... Se você é dessas pessoas (e quem não é?) que vivem prestando atenção aos efeitos dos alimentos que consomem, prepare-se: a lista acaba de crescer. Segundo estudos recentes em culinária e saúde, os alimentos não têm efeito isolado. Eles agem em conjunto. Ingerir dois ingredientes juntos surte efeitos diferentes de consumi-los em separado. Isso porque, em seu corpo, eles interagem. No pior dos casos, fazem você passar mal. No melhor, facilitam a absorção de seus nutrientes e podem ajudar no tratamento de doenças como alergias, insônias e até alguns tipos de câncer. Antes, para comer bem, bastava procurar alimentos saudáveis, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais e carnes com pouca gordura. De preferência, de boa procedência. Agora, os pesquisadores de alimentos afirmam que é preciso pensar em como combinar esses ingredientes.
Continue lendo esta reportagem na edição de ÉPOCA que chega às bancas e ao seu tablet (baixe o aplicativo) neste fim de semana. Saiba como montar as refeições para tirar o melhor proveito da interação entre os nutrientes dentro do seu corpo.
>>Assinante, você pode ler ÉPOCA no computador ou no seu tabletgratuitamenteClique aqui e siga as instruções.
Três receitas saborosas e saudáveis:

Morango com crème fraîche - restaurante The Living Room (Foto: reprodução/Restaurante The Living Room)
O creme de leite usado para fazer a calda foi substituído por leite integral. A quantidade de bolacha assim como a de crème fraîche foi reduzida, enquanto o número de morangos dobrou. O resultado foi um aumento da quantidade de vitamina C, e redução de 40% do total de gordura da sobremesa.




Medalhão de Lombo de Coelho - restaurante Rouge Tomate (Foto: reprodução/Restaurante Rouge Tomate)
O medalhão é envolto por presunto parma e uma crosta de pão moido com ervas. Ele é acompanhado de purê de maça, vegetais da estação e cogumelos. O prato é composto em sua maior parte por proteínas (49%), e tem pouco carboidrato (15%). As vitaminas E, presente nos cogumelos, e A, presente na maça, são absorvias com a ajuda da gordura do presunto parma.



Salmão ao molho de frutas vermelhas e champagne - restaurante Le Manjue Bistrô   (Foto: reprodução/Restaurante Le Manjue Bistrô)
Peixe grelhado servido ao molho de mirtilo, amora, morango, framboesa, uva e champagne servido com arroz de coco fresco, óleo de coco e castanhas do Pará. O ômega-3 do salmão é um poderoso agente contra o colesterol ruim, mas é altamente oxidante. O óleo de coco, rico em vitamina E, age como um antioxidante, potencializando o efeito do ômega-3.  













FONTE
REVISTA SADOL
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domingo, 19 de agosto de 2012

Mensagem da SEMANA: OS VALORES HUMANOS...

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários.
Como esta que recebi recentemente.
Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para
qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais.
E assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas.
Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário.
Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz,
não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária.
É claro que não tenho este dinheiro.
Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis,
comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.
Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer.
E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz.
Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.
“Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.
Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO”
Que tal um cafezinho?

"...MAX GEHRINGER..."



FONTE
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HISTÓRIA: Cabanagem.


Saiba mais sobre ESTE levante popular. 

A miséria e a submissão imposta pelo Império levaram às armas a população de Belém. Um dos maiores levantes do período, a Cabanagem transformou servos em senhores

Texto Fred Linardi / Ilustrações Carlos Caminha | 23/05/2012 19h1
Era noite de festa de Reis no Brasil Império e o povo de Belém festejava ao luar. Autoridades portuguesas e famílias poderosas brindavam na noite de gala do Teatro da Providência. Do lado de fora, estava armado o palco de uma guerra anunciada. No dia 6 de janeiro de 1835, aproveitando a distração geral pela data santa, mais de 1 000 guerrilheiros empunhando espingardas, mosquetões, foices, terçados e espadas se escondiam nas matas ao redor da cidade, cortada por igarapés. Moradores de Belém misturavam-se a combatentes vindos do interior. Chegaram à capital no começo do ano e já planejavam o ataque.

À saída do teatro, o presidente da província, Bernardo Lobo de Souza, foi para a casa da amante. Demorou a perceber o caos na cidade. Esgueirando-se pelos quintais, de casa em casa, conseguiu ficar escondido até o início do outro dia. Quando saiu à rua, foi morto à bala por um índio tapuio. Caiu em frente ao palácio do governo, tomado pelos cabanos durante a madrugada. Comerciantes, fazendeiros e intelectuais apartados das decisões na província lideraram a ofensiva dos tapuios (índios que abandonaram suas tribos), negros escravos e libertos, mamelucos, cafuzos, mulatos, mestiços e também brancos. Entre tantas origens diferentes da massa que surpreendeu os soldados aliados à Regência, uma característica comum batizou a revolta. Muito pobres e explorados na economia extrativista da região, os rebeldes moravam em cabanas simples de barro, cobertas de palha. A Cabanagem (1835-40) combateu o domínio do Império e da elite portuguesa local, acostumada aos privilégios coloniais. A população buscava melhores condições de vida e reclamava da tirania do governo do Grão-Pará, imposto pelo poder central no Rio de Janeiro. Não foi difícil para um grupo de proprietários e religiosos cooptar os mais necessitados sob a bandeira da luta pela autonomia da província. Mais próxima de Lisboa do que do Sudeste, Belém resistiu a aderir ao Brasil independente. Não aceitava as ordens vindas da nova capital do Império, o Rio. A instabilidade política se arrastava havia vários anos.

A revolta estourou depois da morte do cônego João Batista Campos. Ameaçado após sucessivas brigas públicas com Bernardo Lobo de Souza, ele fugiu da cidade no fim de 1834. Uma infecção no rosto provocada por um acidente com uma lâmina de barbear matou o religioso enquanto ele estava foragido. Para os cabanos, a culpa era do presidente.

Há quem compare a tomada do palácio do governo pelos cabanos à Queda da Bastilha, marco da Revolução Francesa na Paris de 1789. Era grande a presença de estrangeiros na região. A França costumava exilar prisioneiros contrários ao regime vigente na vizinha Guiana Francesa. No livro A Miserável Revolução das Classes Infames, o historiador Décio Freitas relata o testemunho de Jean-Jacques Berthier, um exilado francês que vai a Belém e se une ao movimento. "Na época havia, sim, um temor do Império quanto à aproximação das camadas populares, principalmente dos escravos e índios, com os franceses. Mas a Revolução Francesa saiu vitoriosa, enquanto o triunfo da Cabanagem está mais na memória", diz Eliana Ferreira, historiadora e pesquisadora na Universidade Federal do Pará.

A partir de Belém, os rebeldes conseguiram manter o controle da província por pouco mais de um ano.

Intrigas e traições entre os líderes causaram tanto prejuízo quanto as tropas inimigas. O governo cabano nasceu de uma culminância de movimentos formados ao longo dos anos anteriores. Os vários setores que se juntaram ao levante fizeram sua força, mas não demorou para que as divergências aparecessem. O primeiro presidente indicado, Félix Malcher, simpático ao Império, foi chamado de traidor e assassinado em meio à disputa de poder com o comandante de armas, Antônio Vinagre. O cadáver foi arrastado pelas ruas, a exemplo do que acontecera com Bernardo Lobo de Souza. Antes de completar 45 dias o governo cabano já tinha um novo chefe: Francisco Vinagre, irmão de Antônio.

Ao todo, três líderes rebeldes presidiram a província. Já na primeira gestão, uma moeda antiga passou a ser reutilizada e só valia no estado. Cabanos se apropriaram de casas de famílias portuguesas ou ligadas ao antigo regime. "Em algumas fazendas, castigaram os senhores com as mesmas torturas que haviam sofrido antes. O porte de arma foi legalizado, o que dava aos cabanos a sensação de realmente pertencerem à cidade. Isso tudo representava uma grande mudança no cotidiano", diz Ferreira. Mas em nenhum momento eles conseguiram consenso em torno de um projeto viável de governo.

Caos
A situação de Belém foi se tornando deplorável. Destruída pelos combates, enfrentou epidemias de varíola, cólera e beribéri. A população passava fome. A cidade ficou cercada por escunas e fragatas ligadas ao Império, onde se instalaram políticos e militares foragidos. O primeiro contra-ataque provocou a fuga dos cabanos para o interior. A ofensiva teve a ajuda do presidente Francisco Vinagre, em outro exemplo dos interesses contraditórios dentro do movimento. Os rebeldes resistiram sob o comando do irmão dele e de Eduardo Angelim. Em pouco tempo eles retomaram a capital e, aos 21 anos, Angelim assumiu o poder. Último presidente cabano, foi derrotado nove meses depois pela poderosa esquadra do brigadeiro Francisco José Soares de Andrea.

Angelim fugiu novamente da cidade, mas foi capturado e deportado. A violenta caça aos cabanos pela Amazônia prosseguiu até 1840. "Nesse período, a Cabanagem continua de forma que ainda não se sabe ao certo. Havia fortes lideranças em cidades como Vigia e Santarém, mas os estudos precisam ser aprofundados", afirma Ferreira. Mais de 30 mil rebeldes foram executados, um terço dos habitantes da província. A tortura era comum. Militares exibiam colares feitos com orelhas secas de cabanos.

No fim da revolta, Belém só tinha mulheres, crianças e idosos. A participação feminina nas conspirações e combates é foco de estudos recentes. Muitas mulheres foram atacadas e violentadas, do lado cabano e das famílias ligadas à Regência. Não há provas de que elas tenham participado das frentes de batalha, mas é certo que atuaram nos bastidores. "Um dos exemplos é a dona Bárbara, uma viúva de militar que foi até a corveta Defensora munida de moedas de ouro. O navio abrigava presos políticos." Eliana Ferreira sugere que ela tenha tentado comprar a liberdade de rebeldes. Parte do trabalho de troca de informações e suprimento de comida para os cabanos era feita por mulheres.
Mesmo sangrenta, a Cabanagem (1835-40) foi o mais bem-sucedido levante popular brasileiro.

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Vinte anos de luta

Os antecedentes e os marcos da revolta


1823

Mercenários de dom Pedro I forçam a adesão do Pará ao Império; 256 presos políticos são sufocados com cal.

1833

Instabilidade política continua. Bernardo Lobo de Souza assume a presidência local e persegue rebeldes.

1834

Foragido, morre Batista Campos, um dos líderes da resistência. Grupos se juntam para reagir.

7/1/1835

Cabanos tomam o poder, matam Souza e libertam Félix Malcher. O fazendeiro é indicado presidente.

21/2/1835

Malcher evita confrontar o Império. Chamado de traidor, é assassinado. Vinagre assume.

26/6/1835

Sucessor de Malcher, Francisco Vinagre, alia-se ao Império e renuncia à presidência. Líderes fogem para o interior.

23/8/1835

Cabanos retomam Belém. Eduardo Angelim é o novo presidente. A cidade sofre cada vez mais com a guerra.

13/5/1836

Esquadra do brigadeiro Francisco Andrea obriga cabanos a fugirem. Angelim é preso em outubro.

4/11/1839
É decretado o fim da guerra civil e foragidos são anistiados, mas a caça sangrenta vai até 1840.


Saiba mais


LIVROS

A Miserável Revolução das Classes Infames, Décio Freitas, Record, 2005

O autor analisa a Cabanagem a partir de cartas de Jean-Jacques Berthier, um francês exilado que vai a Belém.

Motins Políticos, Domingos Antônio Raiol, Universidade Federal do Pará, 1970
Escrito no século 19, o estudo de três volumes conta a história do Pará e é o primeiro a dedicar-se à Cabanagem.