Quanto pagamos de Imposto:

Visite o blog: NOTÍCIAS PONTO COM

Visite o blog:  NOTÍCIAS PONTO COM
SOMENTE CLICAR NO BANNER -- JORNAL PONTO COM **

PENSE NISSO:

PENSE NISSO:

quarta-feira, 14 de março de 2012

14 de Março - ANIVERSÁRIO DO MUNICÍPIO DE RODEIO.

 


História da cidade de Rodeio

Rodeio tem uma história e uma cultura bastante admiráveis, marcadas pela italianidade e pela religiosidade, e apresenta um estilo simples, mas alegre, de viver. Com uma população de 10 914 habitantes (2010), Rodeio preserva muitos aspectos da colonização italiana. E é sobre a colonização que começo a relatar sua história.

IMIGRAÇÃO ITALIANA E O COTIDIANO DOS IMIGRANTES EM RODEIO

No século XIX, o Brasil foi o destino de muitos imigrantes europeus. A Europa enfrentava diversos conflitos de ordem política, cultural, social, o que dificultava a vida de diversos indivíduos. Em contrapartida, no Brasil, depois de 350 anos de exploração da mão-de-obra escrava, iniciaram movimentos para a abolição da escravatura, mas, acima dos interesses humanitários estava o motivo econômico, visto que a escravidão era encarada como atraso.

É a escravidão a causa principal do nosso atraso, nunca houve correntes de imigração para país de escravos, nunca houve indústrias em países de escravos, nunca houve instrução em países de escravos, nunca houve respeito à liberdade alheia em países de escravos na longa experiência da escravidão africana. (Joaquim Nabuco apud. CARUSO; CARUSO. 2007, p. 134 e 135).

O Brasil foi pressionado pela Inglaterra para acabar com o comércio de escravos, o que ocorreu oficialmente em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós. Enquanto que a Europa enfrentava um processo de adaptação à industrialização e ao capitalismo, gerando uma crise para as classes artesã e camponesa que desencadeou miséria e mortes. Diante destas situações, motivados pelas notícias sobre a América, italianos, russos, alemães e outros europeus decidiram emigrar para o Novo Mundo. Contudo, “o interesse em torno da imigração não ocorria somente por conta de questões ligadas à ocupação territorial ou à aquisição de mão-de-obra, mas também estava intrinsecamente ligado aos debates raciais do século XIX, cujo foco era o ‘branqueamento’ do país” (FERREIRA; KOEPSEL. 2008, p. 103).

Havia uma forte propaganda que estimulava a vinda de europeus para o Brasil. As propagandas nos jornais e outros meios evidenciavam as maravilhas, as belezas, riquezas, o clima propício e também a ideia de prosperidade garantida em um novo país. A imigração passava a ser um negócio lucrativo para os agenciadores e empresários que prometiam aos imigrantes que “assim que desembarcassem no Brasil, teriam, além da passagem gratuita do porto de desembarque à sede da residência escolhida, terra, sementes, alimentos por mais de seis meses e poderiam tornar-se proprietários assim que tivessem provas de estabelecimento fixo” (op. cit.).

Com a necessidade de mão-de-obra qualificada para substituir os escravos, milhares de italianos e alemães chegaram para trabalhar nas fazendas de café do interior de São Paulo, nas indústrias e na zona rural do sul do país. “No período entre 1875 e 1883, aproximadamente 10 mil italianos foram destinados ao trabalho nos cafezais paulistas” (Pellizzetti apud. FERREIRA; KOEPSEL. 2008, p. 105). Segundo Mariléa e Raimundo Caruso, a partir de 1861 e até meados deste século (XX), a Itália iria exportar vinte milhões de pessoas (2005, p. 130).

AS CAUSAS DA IMIGRAÇÃO TRENTINA

Em 1875, o nome oficial do Trentino era Tirolo Meridional. O Tirolo pertencia politicamente, mas não linguística e espiritualmente ao Império Austro-Húngaro. Em 1875, já haviam terminado as guerras de independência da Itália e nelas o Trentino não se envolveu. Havia movimentos separatistas querendo tornar a região parte da Itália e não da Áustria, mas tais movimentos políticos eram bastante limitados às grandes cidades e às classes burguesas. O governo da Áustria não era ruim, deixava muita autonomia à região. Nas igrejas, nas escolas, nos tribunais e na administração se usava exclusivamente a língua italiana. A classe trabalhadora, em geral, não estava descontente com o governo. Portanto, a razão da emigração quase em forma de êxodo se deve a razões econômicas e não exatamente políticas.

Durante os vinte anos que precederam a data da emigração, o Trentino passou por uma gravíssima crise que abalou profundamente a vida social da região. Os principais setores da economia da época eram a criação do bicho da seda e o cultivo da videira. A indústria da região dependia dessas atividades, mas em 1856 e 1857, a sericultura foi dizimada pela epidemia da pebrina e, antes disso, em 1851, a criptógama da videira alcançou a região trentina. Além disso, o Trentino ficou encravado entre regiões que haviam conquistado a independência e se anexado à Itália, o que ocasionou barreiras alfandegárias e prejudicou todo o sistema econômico, em todos os setores.

Assim, famílias inteiras venderam os seus pertences para pagar a viagem para o Brasil. Os grupos partiram de Trento e outras regiões da Itália (Rovereto, Pèrgine, Fornace, Civezzano, Lèvico e Vìgolo Vattaro) e da Áustria em viagem de trem. Depois seguiam por via marítima em navios até aportar no Rio de Janeiro. Em seguida aportavam em Itajaí para serem conduzidos até Blumenau que era uma colônia que já havia sido fundada há 25 anos pelo Doutor Hermann Bruno Otto Blumenau, um alemão que viabilizou a colonização através de contatos feitos com o Imperador do Brasil.

A VIAGEM E A CHEGADA NA NOVA TERRA

Motivados pelas propagandas e forçados pelas condições que enfrentavam em suas regiões, os italianos começaram a partir para o Brasil. Os preparativos para a viagem duravam em torno de 90 dias. As condições a bordo eram adversas e os registros apresentam inúmeras queixas por parte dos imigrantes, desde a falta de higiene até o aparecimento de doenças ou óbitos durante o percurso.

Ferreira e Koepsel citam em seu livro que após a viagem, os italianos, cujo destino era Santa Catarina, desembarcavam no porto de Desterro ou no de São Francisco do Sul e, em seguida, dirigiam-se ao porto de Itajaí; e aqueles que desejavam estabelecer-se na Colônia Blumenau seguiam viagem em embarcações menores até o destino final(2008, p. 111).

Até o ano de 1875, o movimento imigratório no Vale do Itajaí ocorreu quase que eminentemente por imigrantes de origem e cultura germânicas. Em grande medida, isso ocorreu porque o diretor da Colônia Blumenau, até então, havia privilegiado a imigração alemã. Entretanto, a partir de 1875, começaram a estabelecer-se trentinos, tiroleses e italianos de Vêneto e da Lombardia. “Os trentinos possuíam língua e cultura italianas, entretanto, permeados por traços germânicos, pois eram oriundos do antigo Império Austro-Húngaro” (Dallabrida apud. FERREIRA; KOEPSEL. 2008, p. 112).

Ao chegarem à sede da Colônia Blumenau, os imigrantes eram encaminhados para a “Casa de Recepção”, também conhecida como “Barracão dos Imigrantes”. Karl Kleine (apud. Ferreira e Koepsel) define o barracão como “uma edificação longa e estreita, com muitas repartições [...]. O chão não era assoalhado, nem aplainado. Podia-se contemplar o céu através do telhado [...]. Juntando-se a tudo isso, o estrume de alguns bois que circulavam livremente por ali”. (op. cit.). O tempo de permanência no Barracão variava em torno de 3 a 6 meses, tempo necessário para a compra e preparo do terreno para a fixação e plantio.

No que se refere à alimentação, o emprego de ingredientes de origem brasileira na elaboração de alimentos gerou uma dieta alimentar diferente da europeia. Johann Jakob von Tschudi (apud. Ferreira e Koepsel), registra que a Colônia Blumenau produzia açúcar, cachaça, farinha de mandioca, feijão, fumo, café, araruta, manteiga, queijo, mas isso não significa que esses produtos estivessem à disposição dos colonos para a sua própria alimentação diária. Os mesmos autores ainda citam que além do pão de mandioca, também era comum fazer pão de milho ou de fubá, receitas típicas no Vale do Itajaí, tendo em vista a ausência ou dificuldade para a obtenção da farinha de trigo. Eles acrescentam ainda que eram usadas velas de sebo ou azeite de baleia, ou ainda tronco de araribá para iluminar a noite e que havia um encantamento dos imigrantes com relação à quantidade, sabor e variedade das frutas, especialmente a banana, pouco conhecida na Europa.

Além disso, a região que hoje delimita os municípios de Timbó, Rio dos Cedros, Rodeio, Benedito Novo, e Dr. Pedrinho era local de passagem para os grupos indígenas nômades, Kaingang e Xokleng. Conforme Ferreira e Koepsel,

Em meados do século XIX, quando se inicia um processo mais intenso de colonização na região da Colônia Blumenau, com a fixação de imigrantes que adentraram o interior, o choque entre as duas culturas ocorreu de maneira inevitável e o desconhecimento cultural de ambas as partes motivou diversos conflitos. Dr. Blumenau, ao propagandear sua colônia frente aos debates da colonização, procurou amenizar a questão indígena, afirmando que os índios não costumavam atacar as clareiras abertas onde houvesse “civilização”. Entretanto, essa questão não se confirmou (op. cit.).

Os anos iniciais de instalação dos imigrantes, além de terem sido marcados pelos conflitos e adaptação, se destinaram à subsistência, ou seja, o primeiro passo foi o desmatamento da área para o estabelecimento das primeiras plantações. No período inicial, a lavoura era suficiente apenas para o sustento familiar.

Normalmente, os recém-chegados possuíam pouco dinheiro, e, em alguns casos, trabalhavam 15 dias por mês na abertura e manutenção de estradas. Por meio dessa atividade, podiam obter um soldo de 15 mil réis, que servia para pagar as prestações do lote adquirido, assim como os demais produtos de primeira necessidade que sua colônia (propriedade particular) não poderia lhe oferecer (Vicenzi apud. FERREIRA; KOEPSEL. 2008, p. 114).

Paralelo a este trabalho, os colonos tinham também de providenciar suas moradias. No geral, elas eram montadas com ripas de palmitos, barro e folhas largas. A maioria havia deixado a família no Barracão e, por isso, precisava retornar à sede para buscar seus familiares e iniciar a nova vida.

A COLONIZAÇÃO DE RODEIO E O COTIDIANO DOS IMIGRANTES

O destino de algumas famílias italianas foi a Picada ou Caminho de Rodeio. Sobre a origem do nome do município, existe a versão geográfica, a histórica, e a versão lendária: a versão geográfica é explicada pela configuração de suas montanhas e montes em formato de dois semicírculos. Do ponto de vista histórico, segundo consta no livro de comemoração ao Centenário da Imigração de Rodeio, escrito pelos freis Bertoldi e Scottini (1975, p. 11), o nome teria surgido por causa do itinerário que os imigrantes fizeram explorando as margens do Rio Itajaí-Açú a mando do Dr. Blumenau: os colonizadores teriam seguido em direção à nascente até Indaial e lá encontraram uma picada à esquerda que os fez chegar em Timbó onde já existiam habitantes alemães; continuando pelo amplo vale chegaram em “Rodeio”, mas resolveram, mesmo contra a ordem dada por Dr. Blumenau, descer o rio, o que os fez voltar a Indaial, exatamente no ponto de partida, perfazendo assim uma volta, ou um "rodeio". Há também uma outra versão considerada um tanto lendária atribuída ao nome de umas pedras redondas e lisas que se encontravam às margens do rio e riachos, denominadas "rodeios" e que teriam dado o nome ao Ribeirão Rodeio, que desemboca no Rio Benedito, perto de Timbó.
Em 1875, vieram 114 famílias (771 pessoas), provindas do Tirol Austríaco, que receberam abrigo no Barracão dos Imigrantes e, posteriormente, foram encaminhadas para a localidade citada, para onde iam a pé a fim de se estabelecerem e darem início à jornada na nova terra.

Conforme Cani, estas famílias vieram distribuídas em 3 turmas: a primeira, composta de 20 famílias, partiu em maio de 1875, aportando aqui no dia 15 de agosto [...]. A segunda turma, composta de 34 famílias, chegou no dia 15 de setembro. A terceira, com 60 famílias, partiu em 28 de agosto e chegou em 28 de outubro (1997, p. 13).

Bertoldi e Scottini relacionam a lista dos pioneiros oriundos de Trento e que colonizaram Rodeio (1975, p. 11 – 12). São eles:
Adami, Domenico
Addami, Casimiro
Addami, Neguni
Anderle, Domnico
Anesi, Giacomo
Baldo, Francesco
Bartlomè, Araldo
Battisti, Batista
Beber, Antonio
Benini, Roberto
Berlofa, Luigi
Berri, Gaspare
Bertoldi, Giacomo
Bombasaro, Alessandro
Benvecchio, Giuseppe
Briddi, Pietro
Campregher, Battista
Carlini, Gioondo
Conzatti, Domenico
Conzatti, Grazioso
Corn, Givanni
Crispim, ...
Cristofolini, Celeste
Cristofolini, Mansueto
Danna, Giovanni
Demattè, Giovanni
Depinè, Carlo
Fadanella, Vva, Orsola
Faes, Giovanni
Feller, Costante
Fiamoncini, Giosuè
Fiamoncini, Giovanni Battista
Fiamoncini, Giuseppe
Fontana, Daniel
Frainer, Alessio
Frainer, Guerino
Franzoi, Bertoldo
Fronza, Antonio
Fronza, Batista
Fronza, Francesco
Fronza, Giovanni Battista
Fruet, Valentino
Furlani, Giacome
Giotti, Carlo
Girardi, Bortolo
Girardi, Domenico
Girardi, Enrico
Girardi, Placido
Gottardi, Felice
Kissner, ...
Longo, Giovanni
Longoni, Luigi
Lorenzi, Giacomo
Lunelli, Antonio
Lunelli, Giovanni
Fachini, Felice
Manfrini, Ermenegildo
Meneghelli, Erminio
Moratelli, Giacomo
Moser, Agostinho
Moser, Antonio
Moser, Antonio (II)
Moser, Augusto
Moser, Giacomo
Moser, Giuseppe
Moser, Luigi Mário
Moser, Pietro
Negherbon, Federico
Negherbon, Luiggi
Noriller, Luiggi
Ochner, Domenico
Pacher, Giovanni
Pacher, Giuseppe
Pandini, Francesco
Pasqualini, Antonio
Pasqualini, Battista
Pasqualini, Domenico
Pegoretti, Antonio
Pezzi, Vva
Pezzini, Marcelo
Pintarelli, Candido
Pintarelli, Emanuele
Pisetta, Battista
Pisetta, Costante
Pinzigher, Domenico
Plotegher, Vicenzo
Raizer, Pietro
Rigo, Antonio
Rigo, Giovanni
Rodela
Roncador, Giacomo
Rosa, Mansueto
Rozza, Battista
Sardagna, Giorgio
Sardagna, Nicolo
Scoz, Domenico
Scoz, Giovanni Battista
Sapagola, Francesco
Spiess, Hermann
Stiz, Giovanni
Stolf, Antonio
Stricher, Luigi
Stulzer, Beniamino
Stulzer, Giorgio
Stulzer, Giuseppe
Tamanini, Nicolla
Tambosi, Antonio
Tambosi, Giuseppe
Tiso, Gabriele
Tomazelli, Francesco
Tomelin, Antonio
Tomelin, Alfonso
Tonelet, ...
Trevisani, Eugenio
Uller, Antonio
Valcanaia, Paulo
Valler, Virgilio
Vimercate, Innocenzo
Vicentini, ...

A situação para os colonizadores estrangeiros em terra estranha não era fácil. Embora o clima e o relevo tivessem semelhanças com a ex-pátria, tudo dificultava o seu estabelecimento aqui. Os caminhos abertos com a força braçal eram a única via de comunicação com as cidades circunvizinhas. As viagens geralmente eram feitas a pé, às vezes a cavalo ou de carroças alugadas, em caminho acidentado.

As maiores dificuldades que os colonos enfrentavam, segundo os freis Bertoldi e Scottini, foram: ataques indígenas, animais ferozes, cobras venenosas, matas a desbravar, enfim, tudo estava por se fazer (1975, p. 12). Eles relatam ainda que os imigrantes italianos construíram as primeiras casas de palmitos, trabalhavam de sol a sol, no cultivo do milho, mandioca e uva (op. cit.). No entanto, os colonos logo se adaptaram, mas o trabalho árduo, as mãos calejadas e muita renúncia os marcaram. Eles não se deixaram vencer, embora as quase inexistentes comodidades dessem a eles uma instabilidade principalmente na saúde. Outra dificuldade foi a aquisição de alimentos, as famílias dependiam comercialmente de Timbó, Indaial e Blumenau.

A imigração continuou nos anos seguintes. Os 120 lotes foram divididos entre todas as famílias, todos às margens da Picada de Rodeio. Em 1880, Eugenio Uber foi incumbido de alargar a picada, tornando assim possível o tráfego de carroças, permitindo que elas pudessem transitar até o Rio Itajaí, onde a Balsa servia de transporte para o outro lado.

Como a população estava crescendo, muitas famílias se deslocaram para outras regiões mais extensas, atitude necessária para ampliar a área agrícola. Foi então que várias famílias de colonos migraram para o Alto Vale. Entre elas destacou-se o senhor Luiz Bèrtoli, de Rodeio, que chefiou um grupo pioneiro e que povoou as cidades de Rio do Sul, Taió, Rio do Oeste. Em algumas regiões do Médio Vale do Itajaí e do Norte Catarinense, outras famílias dispersaram-se em busca de novas perspectivas de vida e de progresso.

Além da ousadia e do conhecimento agrícola que trouxeram da Itália, os imigrantes eram muito religiosos, tanto é que uma grande preocupação que tinham era em construir capelas para praticarem sua religião, o catolicismo.

A primeira missa foi celebrada nas casas de Giuseppe Fiamoncini e Giovanni Pacher no dia 7 de maio de 1876 por um sacerdote vindo de Blumenau. De uma missa anual começou a ter de três a cinco visitas anuais. Fazia-se culto religioso aos domingos, sob o encargo dos moradores do lugar. A construção da primeira capela provisória de "Nossa Senhora das Dores" foi provavelmente realizada em 1876 em terreno doado por Giuseppe Bonvecchio. “Os casamentos eram realizados em Blumenau; os noivos e testemunhas eram transportados em carroças. O primeiro casamento foi o de Antônio Fronza e Lorenza Giácomo” (op. cit.).

Como a capela provisória já se tornava pequena para a comunidade que crescia, os colonizadores trataram de erigir um prédio maior inaugurado em 16 de abril de 1893, que seria a sede dos Padres Franciscanos os quais assumiriam a direção do povo. Na época, ainda se serviam da Capela da "Madona Dolorata", a provisória; enquanto isto já se ativava a campanha para a construção da Igreja Oficial, cuja pedra fundamental foi lançada em 1894, sob a liderança do co-fundador Frei Lucínio Korte, primeiro vigário, em terras doadas por Valentino Fruet e Leonardo Scoz. Em 1894 havia sido fundada a primeira residência dos Padres Franciscanos que servia como escola também. A Igreja Matriz foi oficialmente inaugurada em 4 de junho de 1899 recebendo o nome de "São Francisco de Assis”.

Em 16 de julho de 1905 instalou-se o Convento das Irmãs da Divina Providência para a instrução das crianças e assistência aos doentes. Em 1915 surgiu a Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, fundada por Frei Policarpo Schuen, com a premente necessidade de atender à crescente atividade da formação e do progresso religioso da infância e da juventude. As três primeiras abnegadas moças que atenderam ao chamado e, portanto, fundaram a Congregação, foram: Amabile Avosani, Maria Avosani e Liduína Venturi, todas três de Rodeio e filhas de imigrantes.

Vicenzi (op. cit.) afirma que “em torno das capelas, os imigrantes, em dias de descanso, reuniam-se para jogar cartas (cinquiglio) e relembrar as velhas canções da pátria, assim como melodias que falavam da nova vida na América”.

Além dos jogos e da música que faziam parte da cultura italiana, existiam outras formas de entretenimento que mantinham a ligação dos colonos com sua ex-pátria. Bertoldi e Scottini relatam que os franciscanos criaram em Rodeio um jornalzinho em língua italiana, para os colonos desta nacionalidade, com o título L’Amico (o Amigo), que começou a funcionar em 1904 (op. cit.).

Outra preocupação dos primeiros colonos certamente era com a educação dos seus filhos, que deveriam saber, pelo menos, ler e escrever. Mas o problema logo foi solucionado, pois a educação teve fortes ligações com a religiosidade. Isso ocorreu porque nas capelas provisórias desde 1880 funcionavam as escolas também provisórias, que por falta de mestres, os colonos mais instruídos ensinavam as primeiras lições aos filhos dos outros colonos. A base da instrução era fundamentalmente catequese e alfabetização.

O prédio da Escola Paroquial foi construído em 1893 onde também fazia parte o primeiro Salão de Teatro que funcionou juntamente com a escola até 1942. O primeiro Mestre-Escola da Escola Paroquial foi o Irmão Leigo Frei Germano Munsick e a direção era sempre dos Franciscanos. Em 1893 os moradores de São Virgílio e Santo Antônio começaram a erigir suas próprias capelas e escolas. As Irmãs da Divina Providência assumiram a Escola Paroquial Italiana cujas primeiras mestras foram: Irmã Eulógia e Irmã Clemência Beninca. Na capela de São Virgílio os primeiros mestres foram: Vimercati, senhora Ropelato, Savério Bogo e Giuseppe Sevegnani, seguidos depois pelas Irmãs Catequistas. Na Capela de Santo Antônio, os primeiros mestres foram: Giuseppe Zaniuca, Giuseppe Sevegnani e Adolfo Negherbon até a chegada das Irmãs Catequistas.

Informações extraídas do site do município, afirmam que

Em 1911 Rodeio teve como meio de comunicação mais rápido e importante a Estrada de Ferro Santa Catarina, a EFSC que realizava uma parada em Diamante. Em 15 de dezembro de 1918 passou a ser criada a Estação Ferroviária de Ascurra que passou a servir a toda a população. Os passageiros de Rodeio eram levados até a Estação de carroça particular ou pelo "Trole" - veículo colocado à disposição dos passageiros e que fazia a função de Correio. Mais tarde foi substituído por um veículo motorizado, uma caminhonete denominada "A Linha". Em 1919 foi inaugurada na Vale Nova a Usina Elétrica, cujo técnico foi Pietro Vota. A Usina forneceu luz e força às moradias até 1930. Em seguida Rodeio passou a receber energia elétrica da Usina Salto de Blumenau, que destinou um Agente para o Posto de Rodeio, o alemão Armando Hoffmann. O posto possuía uma linha de comunicação telefônica com Blumenau. Em seguida instalou-se em Rodeio uma Agência Postal sob a gerência da Senhora Helena Scoz, e em 1924, anexo a esta, começou a funcionar uma Estação Telefônica - Telegráfica. Nesse mesmo ano foi instalada a Coletoria Estadual. [...] Em 1929 foi instalado o Estabelecimento de "Tiro Militar" em Rodeio, extensão do Exército Brasileiro para os jovens ítalo-brasileiros nascidos aqui. Em 1930 foi inaugurado o Hospital "São Roque", empreendimento de espírito comunitário através da Sociedade que o criou. [...] Em 1942 foi fundado o Grupo Escolar "Osvaldo Cruz", primeira Escola Pública Estadual Brasileira em Rodeio, em substituição à Escola Italiana, pois a Colônia encontrava-se em pleno processo de nacionalização da Língua Portuguesa. O primeiro Diretor do "Osvaldo Cruz" foi o senhor Abelardo Souza substituído pela senhora Semíramis Duarte Silva Bosco. No início, o Grupo Escolar recebeu uma equipe de professoras de Florianópolis para suprir a necessidade de formação brasileira. (CONHEÇA a história de Rodeio, 2009).

Aos poucos, os sonhos iam sendo realizados. A “nova Itália” estava sendo moldada conforme as necessidades e as vontades dos colonos. No lugar do mato e da floresta uma pequena cidade se edificava. Ano a ano, as páginas do livro da história de Rodeio eram escritas com muito trabalho e empenho.

PRESERVANDO A IDENTIDADE TRENTINA

Em 14 de março de 1937 o município de Rodeio foi desmembrado do município de Timbó, festejando-se sua instalação oficial. Foi o Dr. Alves Pedrosa, Juiz de Direito da Comarca de Indaial quem deu posse ao primeiro prefeito, o senhor Sílvio Scoz e à primeira Câmara Municipal.

O tempo passou, mas as marcas deixadas pelos primeiros colonos permanecem vivas. Marcas não apenas materiais, mas culturais e sentimentais. Um documentário de 1997, elaborado pela jornalista rodeense Scheila Cristina Frainer Yoshimura, filha de descendentes de italianos, conta um pouco da história e de acontecimentos curiosos que ocorreram em Rodeio ao longo de sua História. Scheila diz que

Muitas das fotografias que destacavam as primeiras famílias italianas que vieram até Rodeio mostram um fato curioso: na frente das pessoas que pousavam para a foto, quase sempre tinha ou um vaso de flor ou um cachorro. [...] Era para esconder os pés descalços. Naquela época, poder calçar um sapato era questão de luxo. (Una Storia Italiana, 1997).

Outro fato registrado no documentário e encravado na vida da pequena Rodeio aconteceu durante a Segunda Grande Guerra. Ademir Tomelin comenta no vídeo que“com a Segunda Guerra Mundial, tanto os alemães como os italianos de Rodeio tiveram que queimar os livros e por causa disso poucos restaram”. Ademir conta ainda que “os que restaram haviam sido escondidos no forro das casas” (op.cit.). A repreensão da época era tanta que foi proibida qualquer manifestação que pudesse lembrar o Fascismo. Conforme comentou a senhora Celestina Fronza, “O ‘Poldo’ Frainer falou italiano, não podia e foi colocado na cadeia” (op. cit.). E não era para menos, Ferreira e Koepsel contam que cidades como Blumenau, Rodeio, Rio do Sul e Timbó, devido à presença de alemães, eram apontadas pelo jornal “O Globo” como localidades onde o Nazismo poderia florescer... (op. cit.).

Mas não são apenas episódios como esses que traçaram a História rodeense. Além do dialeto trentino, da religiosidade, o jogo da “mora” também foi trazido para cá marcando as tradições. Segundo Jaime Depinè relata no vídeo

O jogo da mora foi inventado na Itália em um presídio pelos prisioneiros. Sendo que eles não tinham outra coisa para fazer, a não ser usar os dedos e a boca para se divertirem. Ali foi que surgiu o jogo da mora. Então foi trazido do norte da Itália para [...] o Vale do Itajaí e estamos cultivando. (op. cit.).

Com tantas demonstrações de italianidade, Rodeio ganhou o título de “Vale dos Trentinos”. Iracema Moser Cani, do Círcolo Trentino de Rodeio, explica no vídeo quedesde 1975, ano do Centenário da Imigração Italiana, iniciou-se o intercâmbio com o país europeu e um jornalista que veio da Itália para fazer um trabalho a serviço da Editora Manfrini, denominou Rodeio de “Vale dos Trentinos”, um lugar que ele encontrou no mundo, muito parecido com o Trentino de lá. (op. cit.).

Os descendentes de italianos procuram manter a herança deixada pelos antepassados. Prova disso é que grande parte do povo ainda fala de maneira primordial e genuína o Dialeto Trentino, a língua da comunicação familiar, característica marcante que faz desse aspecto linguístico um forte diferencial na preservação dos usos e costumes. Além disso, o Museu Trentino reúne em sua coleção grande parte do patrimônio perpetuado em suas peças artesanais que identificam a vida, o trabalho, a cultura dos colonizadores. O “Círcolo Trentino di Rodeio” fundado em 1975, é a sede da Federação dos Círcolos Trentinos do Brasil. Sua missão é a de manter a cultura e preservar as tradições italianas. Em 1977 nasceu em Rodeio o jornal O Corujão, propriedade do senhor Geraldino José Ochner. O Corujão até hoje enfatiza os acontecimentos da cidade e destaca o dialeto trentino. A Festa La Sagra, promovida anualmente pelo Círcolo, também é um traço marcante que celebra a imigração italiana. Há pouco tempo entrou no ar a “Rádio Trentina FM” (98.3 MHz), que dentre a sua programação comercial e cultural possui o programa “Rádio Itália”, apresentado integralmente em dialeto italiano todos os domingos de manhã. Além de tudo isso, atualmente encontra-se um monumento que homenageia as primeiras famílias que se instalaram em Rodeio. Na “Praça dos Imigrantes”, em frente a Prefeitura Municipal, estão inseridos os nomes dos primeiros corajosos (citados anteriormente) que ousaram deixar sua terra para construírem uma nova “Itália”.

Necessidade, coragem, força, fé, determinação: estes são alguns dos elementos constituintes da saga dos imigrantes italianos que colonizaram e fundaram a cidade de Rodeio, no Vale do Itajaí. O resultado não foi apenas um local reconhecido no mapa. É mais do que isso, afinal, muito se construiu em Rodeio: casas, ruas, capelas, escolas, igrejas, hospital, mas principalmente, uma magnífica História impregnada de momentos de dificuldades e alegrias que jamais serão apagados do passado e da memória de cada descendente italiano. Rodeio é o sonho realizado de muitos imigrantes que saíram da sua velha terra para edificarem fora da Europa uma nova Itália, uma nova vida, uma nova história.

REFERÊNCIAS

BERTOLDI, Frei José. SCOTTINI, Frei Guido. Rodeio 1875 – 1975 Aspectos de sua História e de sua gente. Gráfica 43 AS Indústria e comércio – Blumenau: Rodeio. 1ª ed. 1975.

CANI, Iracema Moser. Rodeio Vale dos Trentinos, Compendio. 1.ed. Rodeio: Prefeitura Municipal de Rodeio, 1997.

CARUSO, Mariléa Martins Leal; CARUSO, Raimundo C. Imigrantes 1748 – 1900 Viagens que Descobriram Santa Catarina. Unisul: Tubarãol. 2007.

CONHEÇA A HISTÓRIA DE RODEIO. Disponível em: < http://www.rodeio.sc.gov.br/conteudo/?item=11378&fa=8365&PHPSESSID=hdfc3afqmvv07g8t0ltpm842l6>. Acesso em: 07 nov. 2009.

FERREIRA, Cristina; KOEPSEL, Daniel Fabricio. Representações da Cidade: discussões sobre a história de Timbó. Blumenau: Edifurb. 2008.

UNA STORIA ITALIANA. Direção de Scheila Cristina Frainer Yoshimura. Vale do Itajaí: Univali, 1997. 1 DVD (22 min): son. DVD.

IMAGENS DA CIDADE DE RODEIO 
Rodeio (mapa de Santa Catarina)
Portal de Rodeio
Parte central da cidade
Prefeitura Municipal de Rodeio e Praça dos Imigrantes

Casa colonial Família Fronza - 1903

Casa colonial família Fiamoncini
Capela Glória
Porão do Landi
Capela Nossa Senhora de Lurdes (Ipiranga)
Caminho das hortências (Ipiranga)
Monumento Cristo Redentor (Ipiranga)
Eremitério Bem-Aventurado Egídio de Assis
Capela São Virgílio
Cascata do Salto

Convento Franciscano
Igreja Matriz São Francisco de Assis

Altar e painel da matriz

Museu dos usos e costumes trentinos e sede do Circolo Trentino de Rodeio

Fachada da Vinícola San Michele



FONTE
CARTÕES PESSOAIS DE BRUNO DALMOLIN
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
http://www.tpa.com.br
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
FOTOS ILUSTRATIVAS

domingo, 11 de março de 2012

POESIA: VIDA.


Valor da vida


A vida tem valor

Pra quem sabe dar

Dê forças pra quem não tem
Dê valor na vida porque você tem
Busque vida no mundo da morte
Tenha fé e um pouco de sorte 
Siga um caminho e não olhe para trás
Saiba que deus também é paz
E ele nos traz a vida 
E ela precisa ser protegida 
Você tem vida 
Tem valor
A vida tem valor 
Você tem vida e tem amor
Então cuide dela por favor.



de Denise Mourão

Belém - PA - por correio eletrônico.





FONTE
FOTOS ILUSTRATIVAS

Motivação para estudar:


     Há alguns anos, a educação escolar justificava-se pela conquista de uma vaga no mercado de trabalho. Na atualidade, essa ideia vem sendo questionada. A escola tem buscado preparar o jovem para além do mercado de trabalho. Assim, estudar continua sendo essencial para a qualificação da vida cotidiana de todas as pessoas.

     Estudar é lidar, fundamentalmente, com a abstração e com a palavra escrita. Ingressar na escola é aprender que as letras, numa dança peculiar, constroem palavras. As palavras, não apenas pelo som, mas pela entonação da voz e pelos gestos de quem as emite, permitem a leitura de um significado específico. Cada arranjo de grupos de palavras leva à criação de mensagens frasais para analisar limitações e possibilidades nas simples ações do dia a dia.

     A linguagem escrita é uma das características das formas superiores de pensamento porque é instrumento de sistematização e categorização. No decorrer das vivências, a relevância da escola reside não apenas nos múltiplos aprenderes do ambiente coletivo, mas também na criação de condições para utilização do pensamento como instrumento de planejamento e não apenas de memória. É um pensar que prima pelo prospectivo e não apenas pelo retrospectivo.

Motivação do estudante

     Sendo a educação escolar pretensamente honesta e bem intencionada, no sentido de auxiliar o sujeito em sua constituição integral, a interrogação ou reflexão que podemos fazer se refere ao envolvimento dos estudantes nessa proposta: há motivação dos alunos para estudar? Têm resistência à escola? Por quê?

     Inicialmente, é importante reconhecer a inquietude, contestação/contrariedade e insubordinação que sabemos serem expressões comuns nos jovens estudantes, e que foram motivo de registros históricos há muitos séculos.

     Nesse sentido, gestores e professores podem autoconvocar-se à reflexão: o mundo atual globalizado, capitalista, neoliberal, com sua superficialidade, rapidez e consumismo, não serve como argumento principal para justificar a apatia ou a contrariedade dos estudantes para com a escola. Paralelamente, essa capacidade de contrariedade interrogativa, especialmente no coletivo da diversidade da sala de aula, pode servir para alimentar os debates, desde que se administre a situação de aprendizagem de modo a canalizar as indagações para o encontro e confronto com conhecimentos e conceitos científicos.

     Aos estudantes, uma análise pertinente diz respeito à sua compreensão de papéis, hierarquias, liberdades e responsabilidade, no contexto dos diversos grupos de pessoas e das diferentes instituições. Obviamente, não se vai à festa para rezar, nem à igreja para estudar conceitos científicos. Então, vai-se à escola, que é local de encontro, para evocar aprendizagens de conhecimentos conceituais, para desenvolver habilidades intelectuais, enfim, para construir estruturas de pensamento que permitam viver melhor. Aprender é arbitrário e intencional e não supõe apenas prazer e alegria.

Estudar para viver melhor

     Assim como as letras formam as palavras e estas as frases, também é desse modo que se constroem os conceitos. Quanto mais generalizantes, mais complexos, porque abrangem mais elementos que podem ser sinteticamente representados. Estudar é essencial para que as decisões diárias não dependam apenas da experimentação concreta em tentativas com acertos e erros.

     Mapas, gráficos, equações e imagens em geral são códigos que na escola são criados e interpretados no percurso da construção dessas capacidades superiores. Nas diferentes áreas do conhecimento, ler e escrever continuam sendo o centro das elaborações do pensamento e consequentemente da qualificação do viver. Assim, podemos dizer que, além da satisfação pessoal que o conhecimento proporciona, uma pessoa que estuda desenvolve mais a capacidade de elaboração do pensamento. Por isso seu cotidiano será mais bem planejado e organizado, até mesmo na criação de estratégias para encontrar trabalho ou sobreviver.


Atividade
Refletindo sobre como estudamos

Proponha um debate em aula buscando que os estudantes compartilhem como têm se dedicado a estudar fora da escola.

Veja com o grupo o que pensam sobre estudar em casa diariamente. O que os impede de ter essa rotina? Os que estudam diariamente, por que o fazem? Sentem melhor aproveitamento das aulas?

E sobre o estudo em grupo? Que tal reunir os amigos para se dedicarem a estudar um conteúdo que têm encontrado dificuldade em sua disciplina?

Questões para debate:

1 - Qual é a nossa vontade de estudar? Por quê?
2 - Para que serve o estudo em nossa vida?
3 - No início do ano, como podemos nos motivar para aproveitar bem o ano escolar?

Adriana Maria Andreis,
doutoranda em Educação nas Ciências, professora de Geografia na educação básica e superior, Santo Ângelo, RS.
Endereço eletrônico: adrianaandreis@hotmail.com

Artigo publicado no jornal Mundo Jovem, edição nº 413, fevereiro de 2011, página 4.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Qual a diferença entre trem e metrô?


por Thais Sant&#039;Ana
Pergunta - Claudia Lima, São Paulo, Sp
Tecnologicamente falando, nenhuma. Ambos são movidos a energia elétrica, andam sobre o mesmo tipo de trilhos e são parecidos até no interior. A diferença principal está no uso - nas cidades, os trens metropolitanos são mais empregados para transportar pessoas de diferentes cidades de regiões metropolitanas, enquanto o metrô circula apenas dentro de uma mesma cidade. Existem ainda os trens de longo percurso e os trens de carga (estes, sim, bem diferentes do metrô). Quando o primeiro metrô surgiu, em 1863, na Inglaterra, alguns trens já circulavam. Isso fez com que os metrôs, embora tivessem o mesmo padrão tecnológico, fossem um pouco mais modernosos. No Brasil, muitos trens nunca foram substituídos por composições novas, por isso muitos acham que metrô é mais moderno e trem é uma viagem ao passado.
Disputa de ferroTrem metropolitano e metrô têm a mesma tecnologia, mas desempenham funções diferentes nas cidades
TÃO PERTO, TÃO LONGE O metrô circula por regiões mais densas, como o centro - é por isso que, às vezes, ele é subterrâneo, para conseguir desviar dos obstáculos. Já o trem vem de regiões menos povoadas, o que permite que ele trafegue mais em superfície - mas isso não é regra
TAMANHO É DOCUMENTO
Os trens costumam ser maiores do que os metrôs. Eles têm, em média, 12 vagões, de cerca de 20 metros cada, totalizando 250 metros de extensão. Já os metrôs têm, no máximo, seis carros e 120 metros
RITMO METROPOLITANO
Com composições maiores, que carregam mais gente, o tempo de intervalo entre os trens é maior que entre os metrôs. Na capital paulista, por exemplo, o tempo de espera por um metrô vai de 90 a 130 segundos. Por um tremmetropolitano, a espera pode chegar a 15 ou 20 minutos
Procuram-se trilhos Veja as capitais com mais quilômetros de trilhos por habitante5º Porto Alegre (RS) POPULAÇÃO - 4 milhões METRÔ - 33,8 km TREM - não tem4º São Paulo (SP) POPULAÇÃO - 20 milhões METRÔ - 66 km TREM - 260,8 km3º RECIFE (PE) POPULAÇÃO - 4 milhões TREM - 31,5 km METRÔ - 39,5 km2º Brasília (DF) POPULAÇÃO - 2 milhões METRÔ - 42,4 km TREM - não tem1º Rio de Janeiro (RJ) POPULAÇÃO - 12 milhões METRÔ - 40 km TREM - 225 km
COLADINHO NO METRÔ As estações de METRÔ - são mais próximas umas das outras. Isso interfere na velocidade: o TREM - tende a ser mais veloz (90 km/h emSão Paulo), já que tem mais espaço para atingir a velocidade máxima entre as estações, mais distantes. O METRÔ - tem um intervalo mais curto para "engrenar" e chega a 80 km/hLOTAÇÃO ESGOTADA O METRÔ - de São Paulo transporta 3,5 milhões de passageiros por dia útil. O TREM - metropolitano da capital leva, por dia, 2,2 milhões de pessoas. No horário de pico, são nove passageiros por metro quadrado em ambos - o limite aceito deveria ser de três pessoas por metro quadrado
Há vagas Na equação da malha ferroviária dividida por população, São Pauloperde para outras metrópolesSão Paulo POPULAÇÃO - 20 milhões KM DE METRÔ - 66 kmCidade do México POPULAÇÃO - 8,84 milhões KM DE METRÔ - 201,388 kmSeul POPULAÇÃO - 10,45 milhões KM DE METRÔ - 303,2 km
FONTES - Administradoras dos sistemas de trens e metrôs nas cidades citadas; Associação Nacional do Transporte Público (ANTP); IBGE; Ayrton Camargo e Silva, gerente de Projeto Funcional e Integração de Transporte da CPTM; Telmo Giolito Porto, engenheiro da Escola Politécnica da USP e diretor do grupo Tejofran




FONTE
MUNDO ESTRANHO
FOTOS ILUSTRATIVAS


Quem definiu o tamanho das horas e dos minutos?


por Sheyla Miranda



Os babilônios, povo que viveu entre 1950 a.C. e 539 a.C., na Mesopotâmia, foram os primeiros a marcar a passagem do tempo. Ao construir o relógio de sol, dividiram o dia em 12 partes e depois em 24, que são as horas que usamos até hoje. “Como usavam os sistemas numéricos duodecimal (baseado no número 12) e sexagesimal (baseado em 60), os babilônios dividiram a hora em 60 partes, ‘inventando’ ominuto”, explica o metrologista (especialista em sistemas de medida) Pedro Luiz Montini, do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-SP). “Dividindo o minuto em 60 partes, eles chegaram à definição do segundo, embora só tenha sido possível detectá-lo com precisão séculos depois”, completa.






UMA BREVE HISTÓRIA DO TEMPO






Grandes civilizações dividiram o tempo em unidades que usamos até hoje


ANO


Em 46 a.C., o general romano Júlio César adaptou o calendário egípcio – de 3000 a.C. O modelo juliano dividiu o ano em 365 dias – equivalente ao ciclo solar conhecido à época – e 12 meses. Em 1582, o papa


Gregório XIII corrigiu imprecisões e estabeleceu o modelo atual, o gregoriano


MÊS


Babilônios, egípcios e antigos chineses dividiam o ano em dez períodos, nomeados de acordo com seus deuses. Os romanos foram os primeiros a dividir o ano em 12 partes. Os nomes do sétimo e do oitavo mês, porém, eram quinctillis e sextillis – julho e agosto surgiram depois, em homenagem a Júlio César e ao imperador César Augusto


Em 8 d.C., o senado romano jogou um dia de fevereiro para agosto. É que o mês de César Augusto tinha um dia a menos do que o de Júlio César (julho)


SEMANA


A definição do ciclo de sete dias tem origem dupla. De um lado, os astrólogos de Alexandria, capital do Egito por volta de 300 a.C., organizaram os dias em grupos de sete para seguir a ordem dos sete planetas até então conhecidos. De outro lado, a tradição hebraica do Shabbath, que estabelece um dia de culto a cada sete, no qual os judeus descansavam


Os sumérios já observavam o ciclo de sete dias – relacionado às fases da Lua – antes de egípcios e hebreus, porém sem formalizar o sistema


DIA


Os babilônios precisavam medir o tempo em frações menores que o dia e a noite. Para isso, inventaram o primeiro relógio da humanidade, o relógio de sol. Ainda não dava para marcar as horas com precisão, mas a trajetória da sombra separava o dia em 12 partes. Com o mesmo raciocínio, dividiram a noite também




A definição de horas, minutos e segundos era conhecida desde os babilônios, mas demorou até alguém medir o tempo com precisão. O relógio mecânico só surgiu no século 14 e atrasava 15 minutos por dia – um dia a cada três meses! Em 1656, com o relógio de pêndulo, o atraso diminuiu para um minuto por semana


O segundo equivalia a 1/60 do minuto até 1967, quando o Sistema Internacional de Unidades definiu sua duração baseado na radiação do átomo de césio 133


OUTRAS MEDIDAS


Com o avanço tecnológico, surgiu a necessidade de medir intervalos detempo menores. É o caso do microssegundo (milionésima parte de um segundo), do femtossegundo (1 quatrilhão de vezes menor que um segundo) e do attossegundo (mil quatrilhão de vezes menor que um segundo), o menor tempo já medido por cientistas


Membros da Revolução Francesa tentaram emplacar um sistema decimal para medir o tempo – a fim de uniformizá-lo com as medidas de distância.




CONTA OUTRA


Países orientais mantêm calendários bem diferentes do que os usados no Ocidente


A Índia segue um calendário baseado no ciclo lunar, com o ano zero equivalente a 79 d.C. Para os chineses, o ano tem 354 dias e a medição dotempo é lunissolar, ou seja, considera o movimento da Terra em relação ao Sol e à Lua. Para não perder a sincronia com o ciclo solar, a cada oito anos mais 90 dias entram no calendário. O calendário dos judeus também é lunissolar. Os meses têm 29 ou 30 dias e, para compensar os dias perdidos em relação ao ciclo solar, acrescenta-se um 13º mês em alguns anos.

FONTE
MUNDO ESTRANHO
FOTOS ILUSTRATIVAS


quarta-feira, 7 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER 8 DE MARÇO.










FONTE
REVISTA SADOL
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
MUNDO ESTRANHO
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
DIÁRIO CATARINENSE
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
www.r7.com/
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
CARTÕES PESSOAIS DE BRUNO DALMOLIN
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
http://www.tpa.com.br
FOTOS ILUSTRATIVAS

FONTE
FOTOS ILUSTRATIVAS



terça-feira, 6 de março de 2012

VOCÊ SABIA?

Qual a diferença entre presuntado e presunto?

por Marina Motomura
O apresuntado é uma espécie de presunto de segunda: tem menos carne e mais gordura. Os dois são fabricados com carne de porco, mas as regras do Ministério da Agricultura que regulam a fabricação de frios são bem mais rígidas para opresunto do que para o apresuntado. Quer mais detalhes? Então, dá uma olhada aqui ao lado.
Do chiqueiro à padariaTodos vêm do porco, mas cada um tem seu preço, seu gosto e, claro, seus fãs
Tipo de carne - Só entra carne do pernil (pata traseira), a parte mais nobre do porco
Valor nutritivo - Tem cerca de 18% de proteína e apenas 1% de carboidrato
Calorias - 100 gramas têm 86 kcal
Preço* - O quilo custa, em média, 11 reais
Consumo - Em 2005, segundo o instituto AC Nielsen, os brasileiros, consumiram 65 367 toneladas
Apresuntado
Tipo de carne - Vale tanto carne do pernil quanto da paleta (pata dianteira)
Valor nutritivo - Tem cerca de 13% de proteína e 5% de carboidrato
Calorias - 100 gramas têm 120 kcal
Preço* - O quilo custa, em média, 8,50 reais
Consumo - 36 863 toneladas (segundo a mesma pesquisa)
*Preços médios pesquisados em supermercados e padarias de São Paulo em setembro de 2006
Copa
Como é feito - O ingrediente principal é o corte suíno conhecido nos açougues como nuca ou sobrepaleta. Segundo o Ministério da Agricultura, tem que ter, no máximo, 35% de gordura e, no mínimo, 20% de proteína
Preço (por quilo) - R$ 49,90
Calorias (100 g) - 324 kcal
Curiosidade - O tempero da copa tem, geralmente, cravo, canela, noz-moscada e pimentas
Como é feito - Carne suína, ou suína e bovina misturadas, adicionada de toucinho. Tem, no máximo, 15% de gordura e, no mínimo, 27% de proteína
Preço (por quilo) - R$ 59
Calorias (100 g) - 415 kcal
Curiosidade - Há vários tipos de salame. Os principais são: hamburguês (com pimenta preta em grãos), milanês (que leva vinho branco na composição) e o italiano (com temperos mais suaves)
Mortadela
Como é feito - Mistura de carnes de vários animais e, às vezes, toucinho (gordura de porco). A mortadela comum - há algumas especiais, bem caras - é composta de cerca de 60% de carnes e 10% de miúdos (língua, coração, fígado, rins, peles e tendões) - o resto é gordura
Preço (por quilo) - R$ 8
Calorias (100 g) - 260 kcal
Curiosidade - Em 2005, os brasileiros consumiram cerca de 150 mil toneladas de mortadela - mais que o dobro do consumo de presunto
Salaminho
Como é feito - A composição é bem parecida com a do salame. A diferença é que o salaminho é embalado em tripas mais finas: no máximo, 5 centímetros de diâmetro
Preço (por quilo) - R$ 24
Calorias (100 g) - 425 kcal
Curiosidade - Produto tipicamente brasileiro. Foi desenvolvido pelos imigrantes italianos e seus descendentes
Presunto tipo parma
Como é feito - Pernil inteiro de suínos pesados (porcos de, no mínimo, 130 quilos), sem a pata, salgado e dessecado por um período mínimo de dez meses. É vendido cru
Preço (por quilo) - R$ 79 (presunto brasileiro tipo Parma) e R$ 260 (presunto Parma original, italiano)
Calorias (100 g) - 220 kcal
Curiosidade - O presunto Parma original (feito na Itália) é salgado com sal marinho por mais de um mês, e depois seco em câmaras especiais por até dois anos
Pepperoni
Como é feito - Carne suína, ou suína e bovina misturadas, temperada com páprica (condimento feito com pimentão vermelho picante)
Preço (por quilo) - R$ 27
Calorias (100 g) - 350 kcal
Curiosidade - Entre os frios desta lista, é o mais seco: sua umidade máxima é de 38%.




FONTE
MUNDO ESTRANHO
FOTOS ILUSTRATIVAS