O Brasil envelhece, a natalidade diminui e a expectativa de vida dos brasileiros aumenta. De um lado cresce a demanda da Previdência; de outro, diminui a população trabalhadora. O fato é que os novos idosos se distanciam cada vez mais do modelo tradicional. Tornam-se empreendedores, aceitam desafios, entram para a universidade, mudam de profissão e aproveitam cada vez mais a vida. Mesmo assim, representam um ônus do ponto de vista do déficit previdenciário para o qual a sociedade precisa se preparar.
A pesquisa Longevidade: a perspectiva da longevidade e o impacto na sociedade, conduzida pela Zhuo Consultoria e Giacometti Comunicação, aponta que 14% dos brasileiros acima de 70 anos permanecem trabalhando contra 86% que não. Em São Paulo está o maior índice de trabalhadores com mais de 70 anos, 20%; os menores índices estão no Recife e em Porto Alegre, com 7% cada. A análise qualitativa mostra que 100% desses trabalhadores estão felizes com a atividade; 60% afirmam gostar do que fazem; 53% acreditam que são bem remunerados; e 13% apontam que o fato de conhecerem pessoas diferentes contribui para o nível de satisfação.
Segundo o coordenador e idealizador da pesquisa Dennis Giacometti, sócio-presidente da Giacometti Comunicação e da Zhuo – Gestão, Inovação e Estratégia de Marca, o estudo é claro ao apontar a necessidade de se reinventar aos 60 anos. “Esse é um grande desafio não apenas do indivíduo como da sociedade. No Brasil, a taxa de 27% de analfabetos funcionais, com ênfase entre os idosos, faz com que o retorno ao ambiente corporativo fique comprometido, diferente do que ocorre em países orientais que já registram esse movimento”, analisa Giacometti, acrescentando que o estudo Longevidade se baseia na contribuição de diversas correntes do conhecimento humano – biotecnologia, neurotecnologia, nanotecnologia e medicina; estudiosos que defendem que uma criança nascida hoje pode viver até os 120 anos se tiver práticas saudáveis.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) sinaliza que em 2013 o grupo de idosos de 60 anos ou mais será maior que o de crianças de até 14 anos. Hoje, a principal fonte de rendimento dos maiores de 60 anos é a aposentadoria ou pensão – que equivale a 66,2%, chegando a 74,7% dessa população no grupo de maiores de 65 anos. “É imperativo uma política de incentivo e apoio para o desenvolvimento de uma terceira idade ativa não somente do ponto de vista econômico como social. Temos que trabalhar para formar uma nova geração de brasileiros que associa o trabalho à longevidade e à maior contribuição com a sociedade”, afirma o empresário que, aos 63 anos, pretende continuar na ativa por muitos anos.
Envelhecimento: trabalho & família
O que os entrevistados das diferentes classes sociais e locais do país imaginam fazer ao envelhecer? Segundo Giacometti, 55% e 47% dos entrevistados da classe A querem aproveitar a vida e viajar, respectivamente, contra 41% e 39% da classe B; e 45% e 40% da classe C. O trabalho é apontado por apenas 8% da classe A, 10% da B e 15% da C. Ajudar o próximo foi apontado por 8% da classe A, 10% da B e 15% da C. O fato de a classe C ter um índice tão alto quanto a classe A na perspectiva otimista de aproveitar a vida confirma a consolidação dos sonhos de consumo. “Em contrapartida são maiores os índices entre a classe C de ajuda ao próximo”, salienta o coordenador da pesquisa.
São raros os brasileiros que pretendem cuidar de si na velhice. A pesquisa mostra que 45% dos brasileiros esperam que os filhos cuidem deles na velhice, sendo que entre os entrevistados com idade entre 56 e 69 anos esse índice é de 48%. “O pensamento é de retribuição, já que cuidaram dos filhos. Somente 7% pensam em cuidados profissionais. Para os maiores de 70 anos, as pessoas mais importantes no mundo são os filhos (81%) e cônjuge (37%)”, afirma Giacometti.
Na percepção de Dennis Giacometti, o processo de envelhecimento da população traz oportunidades – seja de se reinventar profissionalmente, seja na criação de produtos e serviços voltados às reais necessidades da terceira idade. O publicitário aponta o setor da educação como especialmente promissor. “A criação de cursos de capacitação voltados à inovação na terceira idade é extremamente importante. A proposta é substituir os cursos convencionais, associados muitas vezes a simplesmente passar o tempo, por cursos de capacitação. Um país como o Brasil, que não pode prescindir da experiência de profissionais experimentados, deve incentivar o empreendedorismo entre os maiores de 60 anos”, afirma, acrescentando exemplos como o de Roberto Marinho, que fundou a TV Globo aos sessenta anos. “Há outros anônimos que têm apontado a tendência, como Edson Gambuggi, que aos 82 anos se formou em medicina; Emar Chaves, formado aos 83 anos em Arquitetura; e Chames Rolim, que se formou em Direito aos 97 anos.
Um outro setor apontado como promissor pelo executivo para empreender é a saúde. “Existe uma demanda por serviços ligados à melhoria da qualidade de vida do idoso, visando a longevidade. Exercícios adequados, fisioterapia, alimentação funcional. Ocorre que o foco hoje para empreender ficou nas agências de viagens e seus pacotes turísticos, ou seja, esse produto não representa ou cobre todas as demandas dessa nova terceira idade”, avalia.
Estudo “Longevidade”
Diversas correntes do conhecimento humano – biotecnologia, neurotecnologia, nanotecnologia e medicina – mostram que uma criança nascida hoje pode viver até os 120 anos se tiver práticas saudáveis. Com esse ponto de partida, o estudo Longevidade: a perspectiva da longevidade e o impacto na sociedade buscou averiguar o grau de consciência dos brasileiros sobre o aumento da expectativa de vida e o impacto dessa perspectiva na vida do cidadão. Coordenado pelo arquiteto e publicitário Dennis Giacometti, o estudo avaliou a relação não apenas de idosos mas de jovens, com com esse novo cenário trazido pela longevidade.
A pesquisa foi realizada em três fases. Na primeira, qualitativa, a equipe da Zhuo Consultoria e Giacometti Comunicação organizou dois grupos de diferentes áreas do conhecimento que debateram o tema “a nova longevidade”. O grupo foi composto por Carlos Frederico Lúcio, antropólogo; Dante Marcello Claramonte Gallian, historiador; Frank Usarski, cientista da religião; Jorge Feliz, economista político; Júlio César Pompeu, filósofo; Maria Lúcia Santaella Braga, semioticista; Pedro Luiz Ribeiro de Santi, psicanalista; Irene Gaeta Arcuri, psicóloga; João Toniolo Neto, geriatra; José Carlos Ferrigno, psicólogo; Júlio Sérgio Cardozo, contador e administrador; Roberto Carlos Burini, biomédico; e Shirlei Schnaider Borelli, dermatologista.
Na segunda fase, foram organizados seis minigrupos com pessoas de diferentes perfis da sociedade – homens e mulheres das classes A, B e C, com idades entre 20 anos e 60 anos – para pré-testar a estrutura de abordagem das questões referentes ao novo universo da longevidade. Na terceira fase e com todas as hipóteses em mãos, iniciou-se a pesquisa quantitativa em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife, em uma amostra composta por mil casos. Participaram pessoas com idades entre 20 anos e 70 anos, das classes A, B e C. O Critério Brasil foi o adotado.
O estudo Longevidade: a perspectiva da longevidade e o impacto na sociedade teve início em 2013 e assume a proposta de atualizações periódicas. A nova edição foi concluída em novembro de 2014.
BANDA B


Qual a proposta que vocês, ambientalistas, têm para preservar a Floresta Amazônica?
Mas não existe uma única solução e, acima de tudo, garantiu o professor Rebouças, é preciso trazer para o processo decisório a participação dos usuários da água (empresas e cidadãos comuns). “Se não fizer isso, não vai ter sucesso”.
“Foi a primeira vez, desde que o congresso se reúne (o evento acontece a cada dez anos desde 1962 e o primeiro foi na África do Sul) que construíram um stand somente sobre oceanos. A questão é que há vários anos muitas ONGs estão tentando fazer pressão para que haja um acordo sobre governança ou direito do alto-mar, esse território tão selvagem. A convenção que existe hoje indica liberdade de navegação, de pesca, de extração de recursos em alto-mar, mas a ideia é passar a regular mais. Há quem defenda uma nova convenção, mas seria difícil exigir outro acordo entre os 192 países. Como o texto deixa espaço para anexos, é o que se está querendo cobrar da ONU. O Global Ocean Commission, por exemplo, está organizando uma petição on-line que já tem nomes como do político costa-riquenho José Maria Figueres, o ex-presidente da OIT Pascal Lamy e do ex-ministro do Desenvolvimento brasileiro Luiz Furlan. E a Promessa de Sydney, pactuada no final entre os países que participaram do congresso (
Gosto de bater papo na rua sem compromisso, um hábito que carrego dos tempos de criança moradora de subúrbio carioca. É diferente de jogar conversa fora. Num bate-papo na esquina, com vizinhos, amigos que se encontram por acaso, nem tudo é dispensado. Às vezes surgem ideias mirabolantes que merecem, ao menos, uma gota de atenção.
Fora isso, o que mais me impressionou foi a declaração do secretário da Grã-Bretanha Ed Davey, nesta quinta (11), na reunião de ministros da COP-20, quando ele disse que o risco climático vai afetar o valor das participações em empresas de combustíveis fósseis. Davey falou ainda que era hora de reconhecer que as economias vão se afastar dos combustíveis fósseis se houver um acordo global para baixar as emissões de carbono e que, por isso, carvão, petróleo e gás não serão mais uma aposta financeira segura.
O culpado
Marcelo respondeu-me sobre o vazamento de caulim e nossa conversa se prolongou. A conclusão é que há um processo industrial no Brasil que ainda desrespeita o meio ambiente e as pessoas que moram no entorno – sobretudo no delta amazônico, onde há muitas fábricas devido à sua enormidade de água. Se você, leitor, não se surpreende com isso, devo dizer que eu também não. A gente se acostuma com esses abusos, mas não deveríamos nos acostumar. Por isso acho importante levantar a questão, informar e, de certa forma, dar apoio a quem está na ponta da cadeia, como a equipe do IEC e de outros institutos de análises que tentam, de forma legal, denunciar os crimes para que alguma solução seja tomada. Abaixo, a íntegra da conversa com o professor Marcelo Lima.

