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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Há esperança contra o câncer? Veja avanços e o que esperar contra a doença

Há esperança contra o câncer? Veja avanços e o que esperar contra a doença

Câncer é um tema que nunca sai de evidência, mas este ano poucos assuntos geraram tanta celeuma quanto a "pílula da USP", a fosfoetanolamina, substância com suposta ação contra o câncer produzida no Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo), em São Carlos. Desenvolvida há anos por pesquisadores liderados pelo professor Gilberto Chierice, a pílula vinha sendo distribuída gratuitamente para pacientes interessados.


O problema é que a "fosfo", apelido que o princípio ativo de nome complicado ganhou na mídia, só foi submetida, até hoje, a alguns testes pré-clínicos. Com a repercussão repentina do caso, o Tribunal de Justiça de São Paulo vetou a distribuição da pílula, gerando protestos dos pacientes que queriam ter pelo menos a liberdade de testar o tratamento, mesmo sabendo dos possíveis riscos. Teorias da conspiração tomaram conta da internet, e muita gente acreditou que o Brasil tinha nas mãos a cura contra o câncer, mas não poderia viabilizá-la porque, por se tratar de uma substância barata, não traria lucro a grandes corporações.


O câncer é a segunda doença que mais mata no país, depois das enfermidades cardiovasculares (infarto e derrame), e em algumas décadas será a principal", comenta o médico Paulo Hoff, diretor geral do centro de oncologia do Hospital Sírio-Libanês. Seu tratamento é caro, doloroso e nem sempre bem-sucedido, por isso não dá para condenar quem recorre a terapias sem comprovação científica.


Estudos clínicos
"Ninguém é contra a 'fosfo'; o que se pede somente é que se faça a investigação de forma séria", explica Hoff, que participa de um grupo de trabalho que reúne diversas instituições, criado pelo governo federal para estudar a droga. "Oferecer um tratamento sem antes testar é o que se fazia antes, no século 19", complementa.


Veja, a seguir, algumas novidades e descobertas consolidadas em 2015 que trouxeram esperança para os cientistas e, principalmente, para quem sofre de câncer, além de conclusões que podem ser úteis para prevenir a doença:


"Milagre" pouco provável 
A "pílula da USP" deu tanto o que falar, em 2015, que a história foi abordada em um editorial da Nature, uma das revistas científicas de maior prestígio no mundo. O texto ressalta que mesmo que as cápsulas de fosfoetanolamina sintética tenham algum benefício sobre pacientes que lutam contra o câncer, essa eficácia precisa ser comprovada com testes em humanos. Para que isso ocorra, ainda é preciso que a fase pré-clínica seja concluída --algo previsto para os próximos meses-- e só então a Anvisa poderá determinar (ou não) o início dos testes clínicos, ou seja, em humanos, um processo que costuma durar anos. Até lá, pacientes devem continuar tentando conseguir a pílula por intermédio da Justiça. Segundo a Nature, "a triste verdade é que é pouco provável que a droga seja um milagre".


Ataque ao bacon 
Em outubro, os pesquisadores da Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), ligada à OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgaram os resultados de uma pesquisa na qual foram avaliados mais de 800 estudos epidemiológicos que investigaram a associação do câncer com o consumo excessivo de carnes vermelhas ou processadas (como bacon, linguiça, salsicha e presunto). A conclusão foi que existem evidências convincentes de que a carne processada pode causar câncer de cólon e reto --o segundo mais comum em mulheres e o terceiro em homens. Quanto à carne vermelha, existem evidências, mas ainda limitadas. Os resultados fizeram a Iarc colocar a carne processada na mesma categoria do tabaco, o que gerou alarde e uma interpretação equivocada: "O fato de terem sido categorizados no mesmo grupo não significa que consumir esses alimentos seja tão perigoso quanto fumar, mas sim que os dois fatores apresentam evidências convincentes de que podem levar à doença", esclarece Luciana Moreira, do Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva). Para os amantes dos embutidos, o conselho que fica é "consuma com moderação". Algo que não pode ser dito, em hipótese alguma, em relação ao cigarro.


O que é que o elefante tem? 
Um dos alvos que tem se consolidado como de grande interesse para os estudiosos do câncer, segundo o oncologista Paulo Hoff, do Hospital Sírio-Libanês, é o chamado gene p53: "Ele funciona como uma espécie de guardião do genoma humano", justifica o médico. Quando está normal, ele faz com que as células cancerosas entrem em apoptose, ou seja, em processo de autodestruição. Pesquisas mostram que indivíduos com mutação nesse gene têm muito mais chances de desenvolver tumores malignos. Um estudo científico publicado no Jama (Journal of the American Medical Association) concluiu que o p53 explica por que os elefantes não têm câncer, um enigma que há muito tempo vinha sendo investigado. Afinal, como é um bicho que possui tantas células não estaria vulnerável às mutações que levam à doença? Para cientistas da Universidade de Utah, o segredo desses mamíferos é que eles têm 38 cópias modificadas desse gene em cada célula, enquanto os seres humanos têm apenas duas.


Promessa da imunoterapia 
Apontada como principal avanço de 2013 pela revista Science, a imunoterapia foi um dos temas de maior destaque da Conferência da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), em Chicago, este ano. A ideia é tratar o câncer por meio do estímulo do sistema imunológico do paciente, o que traria menos efeitos colaterais do que a quimioterapia, por exemplo, que também destrói muitas células saudáveis. "A imunoterapia já é aprovada para o tratamento do melanoma [câncer de pele mais agressivo], mas estudos mostram que ela pode ter indicação, também, para outros tipos de câncer, como de pulmão e rins", diz Hoff. As principais farmacêuticas têm investido em moléculas desse tipo, e o Brasil também faz parte de alguns estudos clínicos.


Aspirina contra o câncer? 
Diversos estudos realizados nos últimos anos têm apontado os benefícios do ácido acetilsalicílico para retardar ou evitar o retorno do câncer em pacientes que já tiveram a doença. Por causa disso, o serviço público de saúde do Reino Unido anunciou que vai iniciar a maior pesquisa já feita para confirmar a hipótese. Cerca de 11 mil pessoas que já tiveram câncer de intestino, mama, próstata, estômago e esôfago vão participar dos testes clínicos, que devem durar ao todo 12 anos. O consumo contínuo de aspirina pode provocar hemorragias e úlceras, por isso é preciso que os pacientes sejam monitorados com cuidado.


Questão de azar 
Há diversos fatores capazes de interferir no risco de um indivíduo ter câncer, como fumar, por exemplo. Mas, segundo um estudo publicado na revista Science, a maior parte dos tumores pode ser atribuída mais à falta de sorte do que a hábitos insalubres. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Saúde Pública Bloomberg afirmam que dois terços de todos os tipos de câncer analisados têm origem em mutações genéticas que acontecem aleatoriamente. O ritmo de renovação celular varia em cada parte do corpo. Mas a lógica é que, quanto mais as células se dividem, maiores as chances de uma célula sofrer mutação e se tornar cancerígena. A conclusão dos pesquisadores não servem de justificativa para chutar o pau da barraca. Especialistas garantem que ter um estilo de vida saudável aumenta bastante as chances de não "dar azar".


Antioxidantes ajudam ou atrapalham? 
Muita gente consome suplementos com antioxidantes porque essas substâncias ajudam a combater radicais livres, que em excesso aceleram o envelhecimento das células. Isso ajudaria a evitar o câncer, segundo alguns especialistas. Mas evidências científicas têm mostrado que essa teoria vale apenas para indivíduos saudáveis. Um estudo publicado na Nature mostrou que um antioxidante comum foi capaz de acelerar a evolução do melanoma em camundongos, estimulando metástases. A conclusão dos pesquisadores, do Instituto de Pesquisa sobre as Crianças de Dallas, nos Estados Unidos, é que esses compostos fazem bem às células, mas são mais bem aproveitados ainda pelas cancerosas. Além de servir de alerta para quem toma vitaminas por conta própria, os resultados podem abrir caminho para tratamentos pró-oxidantes que previnam metástases.


Fonte: UOL
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